Swift

New Order - Introdução



Meia noite em ponto. Os bares estavam com as portas abertas, acolhendo corações partidos e alcoólatras. Ainda havia aqueles que frequentavam tais lugares apenas pelo barulho, pela sensação de humanidade em decadência ou por um copo de bebida. Os violinos desafinados entoavam canções clássicas, animadas e referentes à pirataria.
Mas não era aquilo que a jovem mulher de cabelos desalinhados e castanhos buscava sentada num balcão dum bar em Washington. 
Ela cantarolava os versos enroscados de músicas que conhecia pelas longas horas de degustação de álcool e pela convivência. Catterine Hudson sentia-se desolada e devastada. Espalmou as mãos sobre o balcão sujo enquanto sentia o álcool queimar em sua garganta. Afinal, o que a devastara? Nem ela sabia - efeito secundário da bebida em sua corrente sanguínea.
Não era o que, mas quem a devastara. O destino, talvez, fosse o principal culpado. Talvez assistir a injustiça humana triunfar diante de seus olhos, o suspeito principal do desaparecimento de seus pais fora solto com um sorriso nos lábios e com o direito à uma retratação pública da aspirante à detetive. 
Aquilo era humilhante, em todos os sentidos possíveis. 
Encostou a cabeça no balcão, querendo chorar como uma criança perdida - mais um efeito do álcool. Aonde errara? Ela nunca cometera tais erros e eis que há um bem sobre sua cabeça. Como ela errara? Não sabia, talvez por isso estivesse se embebedando. 
— Damas embriagadas não são charmosas... — a voz quase convincente do rapaz atrás do balcão, esfregando irritantemente um copo, chegou aos ouvidos de Catterine como um insulto. Ela franziu as sobrancelhas e ergueu a cabeça. — Parece que está tendo um dia ruim.
Ela não tinha o ânimo necessário para conversar ou desabafar, mas sua mente registrava cada detalhe sobre o rapaz. Não devia dinheiro à ele, concluiu pensativa. Até onde sabia.
— Mais rum. — pediu tentando alcançar o copo, entretanto o rapaz fora mais ágil e o pegara antes. Ele estava sendo irritante. — Ah, não. Não tente me consolar. Quebro seu nariz e então você terá um motivo quase convincente para pedir consolo. 
— Calma, moça... Só estava tentando melhorar seu humor e— o rapaz foi interrompido por um puxão brusco no antebraço. Os olhos castanhos de Catterine estavam avermelhados e semicerrados, como se ela pudesse ver através de sua alma e analisar cada linha em seu rosto, ela bufou impaciente. — Moça?!
— Cale a maldita boca e me dê mais rum! — sibilou tentando conter o que quer que fosse que a impulsionava a querer esmurrar o rapaz. Soltou o antebraço dele e recostou a cabeça sobre o balcão mais uma vez, retomando à normalidade.
Sua mente simplesmente não entrara em colapso, como ela tanto desejava. Repassava todos os passos que dera em direção ao suspeito do desaparecimento dos pais e como havia realizado cada um deles. Não encontrava o erro, a pequena brecha que a desmoralizou e que a fizera encher a cara num bar podre de Washington. Não havia deixado passar um único detalhe, repetia aquilo várias vezes.
Sentia os ânimos alterando-se. Finalmente o álcool estava deixando-a desequilibrada o suficiente para expulsar aquele caso da mente. E pouco depois, estava cantando em alto e bom som as músicas entoadas pelos violinos arranhados e levemente desafinados.
Passaram-se horas a fio, entre danças desconcertadas e doses de bebida. O amanhecer reinava sobre a cidade e a passos trôpegos alcançara seu lar. Não era mais um lar, aquela era uma palavra forte e significativa demais para um apartamento com caixas e garrafas por todos os lados.
A luminosidade feriu seus olhos e sua cabeça girou com força. Sua mente registrou que deveria parecer engraçada agora, o modo como suas pernas enroscavam-se uma na outra e a impediam de andar firmemente, sim deveria estar engraçada.
— Estou sozinha... com uma... garrafa de rum!
Entoou e sorriu pouco antes do escuro a abraçar.

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