Swift

Darker than Black: 1. Wild

1 - Selvagem

   Havia poucas regras naquele mundo. A primeira era bem simples: qualquer um que é deixado para trás não pode ser salvo. A segunda e a terceira regras exigiam um pouco mais de atenção, mas não deixavam de ser simples: mantenha apenas os mais fortes por perto, os fracos tiveram sua vez, e nunca baixe a guarda. Talvez se as regras forem seguidas, haja uma possibilidade de sobreviver.
   Caso contrário, bem...
— Já se passaram dois dias. Naruto considere... — a clemência na voz desesperada de Tenten era quase sufocante. — Talvez Neji tenha tido problemas no caminho.
— Neji já teve problemas antes? — questionei enquanto encarava a expressão desesperada da garota. — Ele conhece as regras. Não posso contrariá-las só porque vocês tinham um caso no colegial.
— Por favor, apenas espere mais um pouco... Você disse que ele tinha três dias! — ela bradou claramente instável. — Por favor.
   O restante do grupo me encarava, esperando por um ato de misericórdia que eu não poderia realizar. Tenten mantinha as mãos rentes ao corpo, os punhos cerrados demonstravam que ela tentava se controlar o máximo que podia.
— Já se passaram três dias, Tenten. — avisei enquanto observava os céus escuros. — O tempo dele acabou. Lamento.

 [14:07] 9/7 — Setenta e três dias antes, Distrito de Osaka 

   Os noticiários alertavam a mesma coisa: uma doença altamente contagiosa estava infectando nações e levando inúmeros ao óbito. Segundo as autoridades, todos deviam manter-se trancados e os infectados deviam procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível. Familiares que tivessem alguém infectado tinham de se manter em quarentena por tempo determinado após desinfecção da casa.
   Ninguém sabia ao certo o que fazer. Alguns diziam que a culpa recaía sobre os americanos, outros afirmavam fielmente que era apenas uma epidemia e que logo a velha rotina estaria de volta. E havia aqueles fanáticos que diziam que era o prelúdio dos fins dos tempos.
   Talvez eles estivessem certos o tempo inteiro.
  O som da televisão ecoava baixo pela sala. Minha atenção estava presa no celular, enquanto eu andava de um lado para o outro no cômodo, esperando que a ligação fosse atendida o mais rápido possível.
— Anda, atende... Merda! — murmurei ao ouvir a mensagem eletrônica para deixar uma mensagem na caixa postal. Aguardei o toque e soltei um suspiro. — Ei, pai, sou eu de novo. Eu sei que já liguei dezenove vezes, então vê se atende logo... Me liga.
   Atirei o telefone longe enquanto prestava atenção na televisão. O repórter falava nervoso sobre as ações policiais. As medidas eram simples: os policiais estavam com roupas antiquímicas e armados, a fim de evitar infecções e revistariam cada residência com a intenção de retirar e deslocar pessoas infectadas.
   As imagens demonstrando uma pessoa sendo retirada passavam certa confiança, como se aquilo estivesse sobre controle.
A fim de evitar novos casos, doações e transfusões de sangue foram totalmente proibidas. Os hospitais estão paralisando cirurgias que precisem de transfusões de sangue e os casos mais graves de infecção estão sendo tratados em alas hermeticamente fechadas... Não se sabe até que ponto esta doença atingiu a população mundial, mas acredita-se que ela está sobre controle.
   Foi apenas uma questão de um segundo ou dois, e logo havia batidas na minha porta. Ecoavam altas e eram acompanhadas por ordens para abrir logo a porta. Apressei-me e destranquei a porta, em seguida ela fora aberta abruptamente por um policial.
   Ao todo eram cinco. Dois deles empunharam seus revólveres e miraram na minha direção, enquanto mantinham as luzes de duas lanternas apontadas em meu rosto. Os demais começavam a revistar meu apartamento, sem se importar se estavam quebrando alguma coisa ou não.
— Não se mexa! — um deles me ordenou quando virei a cabeça para ver o que os outros policiais procuravam. — Mãos para cima, agora! Obedece!
   Lentamente ergui as mãos enquanto os policiais destravavam suas armas. Nada soava real. Nem mesmo quando ordenaram que eu deitasse no chão, com as mãos atrás da cabeça.
— Parece que ele está infectado... Esse prédio inteiro está. — um policial disse em voz alta através da máscara. — Não há o que salvar por aqui.
— O quê? — murmurei confuso. Os policiais apenas trocavam ordens ou conclusões, enquanto dois deles ainda mantinham suas armas miradas sobre minha cabeça.
Não se sabe ao certo quantas pessoas já contraíram a doença, mas aparentemente a taxa ainda é pequena. As autoridades recomendam que as pessoas aguardem em suas casas pela vistoria da polícia. — a voz do repórter ecoava pela sala. — Até agora apenas vinte casos foram registrados no distrito de Osaka e duzentos pelo país inteiro. O CCD afirma que a doença pode ser controlada se diagnosticada rapidamente e que investimentos estão ocorrendo para uma possível vacina contra a doença.
— Vocês... Vocês tem que me levar para o hospital! É isso o que o governo disse! Eu não estou doente! — esbravejei enquanto meu queixo tremia. O suor impregnava minha pele e o pavor consumia-me. — Eu não estou doente!
— O governo está tão doente quanto você... — um deles disse pouco antes de disparar.
   Logo tudo se tornou um longo intervalo entre o desespero e a confusão. O que quer que eles estivessem falando soava apenas como zumbidos sem nexo aos meus ouvidos, seus movimentos pareciam ser lentos demais ou rápidos demais. Havia o gosto de sangue em meus lábios e parecia que a qualquer minuto minha cabeça explodiria.
   Eu não conseguia associar a dor quase anestesiante em meu corpo com o local atingido pelo tiro. Eu só conseguia me lembrar das palavras do noticiário e que meu celular estava tocando.
Kono... ha... lugar... intacto... Sem qual... quer caso... — meus olhos tentavam focalizar a TV, mas era difícil. — Estados Uni... infecta... Fique... em... casa.
   E por fim só restou o escuro e o gosto de sangue.

 [01:26] 22/9 — Agora, Clareira Fü de Kita Ward 

   O silêncio tomara conta de todos. Tenten olhava com súplica para todos, como se algo realmente injusto estivesse acontecendo. Na verdade, não importava o quão cruel aquele mundo fosse ou suas regras, não havia mais senso de justiça. Justiceiros foram os primeiros a morrer. Não havia motivo para ser um deles.
— Você não tem o direito, Naruto! Ele foi buscar remédios! Você deu três dias a ele, sabe que qualquer coisa pode ter acontecido nesse meio tempo. — Tenten exclamou, e apontou o dedo na minha direção.
— Eu dei a ele mais tempo do que qualquer um teve. — retruquei sem me importar com as lágrimas que Tenten vertia. — Não há nada que eu possa fazer agora. Ele teve sua chance.
— Sozinho? Sem ninguém para protegê-lo porque você não quis comprometer o grupo? — ela exaltou-se e avançou três passos. Aguardei em silêncio, enquanto a atenção de todos prendia-se naquela cena. — Ele nunca teve uma chance, e você sabia disso.
   Um sorriso torto nasceu em meus lábios. O descaso queimava as frases que eu formulava para contrariá-la ou apenas para demonstrar que não fora eu quem tirara qualquer chance de Neji, ele já o havia feito.
   E não importava quantas lágrimas Tenten derramasse ou quantos olhares de surpresa ou medo eu recebesse do grupo, no final do dia todos sabiam que cedo ou tarde alguém ficaria para trás. E isso significa que uma vez deixado para trás, não é possível ser salvo.
— Bem... Eu não vou perder tempo com um cadáver destroçado em algum lugar. — retruquei enquanto Tenten partia em minha direção, como se pudesse me acertar com seus socos frágeis e previsíveis. Segurei seus pulsos e a empurrei. — O tempo dele acabou. Aceite isso.
   Encarei os demais, suas expressões eram puro pânico. Tinham medo de quem seria o próximo a ser abandonado. Olhei para o sudeste enquanto sentia o frio tornando-se incômodo.
— Quando amanhecer, vamos buscar suprimentos. Até lá, descansem. Shikamaru... — o rapaz me encarou imediatamente. ­— Fique de vigia por uma hora, depois o Choji irá assumir o posto. Revezem entre si.
   Fitei o grupo. Eles não eram pessoas fortes, extremamente hábeis ou líderes, não passavam de pessoas comuns com alguma utilidade. Todos me encaravam esperando por mais alguma ordem, entretanto apenas me dirigi para meu carro. Abri a porta e logo que entrei no veículo a fechei com força.
   Observei o movimento dos demais. Alguns se ocupavam em manter a fogueira baixa e com o fogo a ponto de extinguir-se numa hora ou outra, as mulheres procuravam assar as carnes de animais que havíamos abatido e poucos rapazes se mantinham em torno da fogueira.
   Tenten era consolada pelos demais e aparentemente não estava funcionando. Recostei o corpo no banco do carro e inalei o ar. Continuei olhando fixamente para o grupo enquanto ignorava a Haruno vindo à minha direção.
— Posso conversar com você? — ela questionou após apoiar os braços na janela do carro. — Vou tomar seu silêncio como um sonoro “Sim”.
— O que quer que converse comigo, não importa. Minha decisão não vai mudar. — disse sem alterar minha expressão ou minha atenção. — Você conhece as regras melhor do que eu, Sakura.
— Uma vez deixado, não é possível ser salvo. — ela disse levemente entediada. Fitei-a. — Você sabe que isso não aconteceu com você. Eu tinha a escolha de deixá-lo naquele prédio para morrer.
— Mas não o fez, porque você demonstrou piedade comigo. — rebati no mesmo instante. Voltei a olhar o grupo. — E esse é o problema, uma vez que se demonstra qualquer tipo de sentimento, as pessoas esperam mais disso. Eu não posso dar esperanças falsas de que qualquer um pode ser salvo a qualquer instante.
— Então pare de agir como um tirano. Ainda somos seres humanos, e não aquelas coisas lá fora. — ela disse e a encarei seriamente. — Mesmo que você seja o líder, não significa que possa agir como alguém melhor. A diferença entre você e Neji, é que você teve uma chance.
   Ela afastou-se sem dizer mais nada. Respirei fundo e peguei a arma sobre o banco ao lado. Destravei a arma e segurei-a como se tudo estivesse ligado a quem morreria e a quem sobreviveria. Com certeza, tudo se resumia a isso.

 [19:14] 9/7 — Setenta e três dias antes, Distrito de Osaka 

— Ei! Pode me ouvir?
   Não havia mais o gosto de sangue praticamente fechando minha garganta. Só havia o escuro. Realidade e sonho cruzavam-se na minha mente, misturando o que era real e o que não era. Minha cabeça tombava para os lados, eu conseguia sentir.
   Novamente a mesma pergunta era feita por alguém. Eu não conseguia responder, as palavras simplesmente não chegavam à minha boca; morriam em algum lugar.
— Ei! Acorda! Se conseguir me ouvir... Por favor, por favor, abra os olhos.
   As palavras do noticiário acompanhavam as imagens dos policiais entrando no meu apartamento e me mandando erguer as mãos. O toque do celular, as chamadas sendo direcionadas para a caixa postal e a irritante voz da secretária eletrônica que fazia a voz do meu pai soar bêbada pareciam estar num volume alto demais na minha cabeça.
   E então houve a dor. Tão dilacerante e tão real que me fez abrir os olhos e gritar. Meus braços estavam sendo segurados, como se aquilo pudesse interromper o que estivesse ocorrendo.
— Segure os braços dele, Sakura. Tenho que remover a bala... — uma mulher ordenou irritadiça. — A bala atravessou as costas e ficou alojada próxima ao coração. Faça-o calar a boca!
— Você tem que ficar parado e calar a boca, seu idiota! — outra mulher ordenou e colocou as duas mãos sobre minha boca. Tentei agitar os braços, mas ela empunhou uma faca. — Não se mova, ou eu te mato.
— Faça-o ficar nessa posição, eu posso retirar a bala. — a primeira mulher disse, enquanto perfurava algo em meu peito. Aquilo não era dor, era algo maior e mais intenso. Ela girava o que estava manejando em minha carne, provavelmente à procura da bala. — Quase lá... Mas se ele se mover, posso cortar uma artéria.
— Ei, fique quieto! Está me ouvindo? — a mulher disse enquanto encostava a faca contra meu pescoço. Em seus olhos havia piedade e soava que ela estava clamando pela minha obediência. — Controle-se.
   Mordi com força a palma da mão dela quando senti que a outra mulher estava movendo mais uma vez aquele objeto dentro da minha carne. Outro grito de dor fora abafado enquanto o olhar de piedade da mulher aumentava.
— Acabou. Mas preciso costurar isso. — a outra mulher disse aparentemente aliviada. — Mantenha-o quieto.
   Respirar era altamente doloroso, realizar qualquer movimento ocasionaria num belo corte em minha garganta e os fatos pareciam irreais demais para associar com a realidade. Desesperadamente eu queria que aquela dor desaparecesse, mas ela aumentava conforme a agulha atravessava minha pele e a linha forçava que o ferimento fechasse.
   Mais um grito fora abafado e mais uma ordem para que eu ficasse quieto fora dita apressadamente.
— Acabei, levante-o. Temos que sair daqui — a voz altamente desesperada da mulher alertava claramente que o lugar era perigoso. A faca fora afastada do meu pescoço e as duas puxaram-me até que eu mantivesse o equilíbrio. — Anda! Rápido!
— Ei, idiota, você tem que andar ou vamos morrer. Você tem que andar mais rápido! — uma delas disse enquanto eu sentia minha cabeça tombar para os lados conforme meu corpo era praticamente arrastado por ambas.
   Após alguns minutos consegui manter a cabeça erguida e conseguia dar alguns passos trôpegos. As duas discutiam entre si sobre qual era o melhor caminho. As imagens logo se tornavam borrões e havia gritos por toda a parte; pessoas corriam tão desesperadas quanto nós, policiais surgiam dos becos e saíam com armas em punho.
   Os sons de helicópteros e carros era quase enlouquecedor. Todos rumavam para a rodovia principal. Todos queriam sair o mais rápido de Osaka.
— Não, não podemos ir pelas estradas principais e nem mesmo pelas avenidas, Sakura — a mulher rosnou impaciente enquanto entrava numa viela suja. Seu tom de voz diminuía gradativamente. — Todos vão tentar sair por esses lugares e são os primeiros em que vai haver a polícia.
— Então por onde vamos fugir? — a outra questionou. — Merda! Eles estão vindo!
— Entrem nas caçambas de lixo. Rápido! — a mulher ordenou sem rodeios e entrou na caçamba, a outra tratou de me empurrar para a mesma caçamba enquanto me xingava e logo ela saltou para dentro.
   Nos encolhemos enquanto puxávamos o máximo de lixo que podíamos para nos cobrir. Ninguém ousava respirar ou murmurar qualquer coisa, parecia que até os batimentos cardíacos eram altamente perigosos. Os sons dos passos apressados dos policiais preencheu a viela.
   Minha mente explodia. Algo como uma estranha certeza de que seríamos pegos e mortos me assombrava.
— Olhem direito, parece que pessoas dos prédios infectados fugiram — a voz abafada pela máscara de gás de um deles apenas aumentava a tensão.
   Minha atenção estava fixa apenas no odor do lixo e nos passos dos policiais, uma lufada de ar alta demais ou um mínimo movimento poderia entregar a nossa localização e ditar o final. Meus músculos travaram imediatamente quando o metal da caçamba fora chutado.
— Preste mais atenção por onde anda — o policial ralhou impaciente.
   O tempo passou rapidamente e lentamente, numa torturante espera os policiais se afastaram. E repentinamente, tudo mudou. Havia um corpo sobre nós, o som de seu corpo afundando no lixo foi alto o suficiente para chamar a atenção dos policiais. Havia ordens para verificar o que era aquilo e nos apressamos em empurrar o corpo para fora da caçamba.
— Não toquem no sangue dele, está infectado — a voz baixa e em claro pânico da mulher me deixou em choque. O braço daquele homem estava cortado profundamente e logo seu sangue escorria do ferimento.
   Havia três possibilidades àquela altura. A primeira era clara, entrar em contato com o sangue daquele homem e contrair a doença. A segunda era contrair a doença, ser deixado para trás e morrer pelos policiais. E a terceira era permanecer em silêncio e morrer pelos disparos policiais.
   Não havia salvação alguma naquela altura. Seria morte por tiros ou pela doença. Não importaria tanto, não haveria ninguém para ir ao funeral.

 [01:29] 22/9 — Agora, Clareira Fü de Kita Ward 

   Mantive a arma em punho e saí do carro. Bati a porta com certa força e caminhei na direção dos demais. A cada passo que eu dava, seus olhos me acompanhavam amedrontados. As conversas que antes estavam a todo vapor agora se silenciavam, viravam fios de voz.
   Encarei cada um deles enquanto obtinha a atenção de todos. Três pessoas estavam faltando.
— Onde estão Tenten, Shikamaru e Choji? — questionei enquanto todos se entreolhavam. — Não vou perguntar novamente.
— Shikamaru e Choji estão de vigia, como você mandou Naruto. Foram para aquela direção. — a Haruno respondeu apontando para o sudeste. Franzi as sobrancelhas imediatamente. — Tenten foi com eles, disse que precisava distrair a cabeça.
— Eles foram armados? — perguntei enquanto começava a andar com pressa na direção apontada pela Haruno. Ela apenas assentiu. — Karin e Kankuro, vocês vem comigo. Peguem um rifle e os facões.
— Mas o que está acontecendo? Naruto! — ouvi a voz impaciente de Sakura enquanto me afastava e os dois me seguiam conforme havia ordenado. Agarrei uma lanterna e a liguei, corri com pressa para o sudeste, ouvindo os passos apressados de Karin e Kankuro logo atrás de mim.
   Olhei com atenção para os lados e localizei a inscrição na árvore. Segui para a esquerda e logo encontrei Choji e Shikamaru, ambos com as armas em punho e olhando desesperados para os lados.
— Onde ela está? — questionei sem rodeios.
— Ela correu para lá, disse que vai encontrar Neji e... — Shikamaru tentou dizer, entretanto o som de um grito chamou nossa atenção. Um leve silêncio se instalou e logo houve mais um grito.
— Karin, você fica com o rifle. Vai me cobrir e apenas atire em último caso. — ordenei enquanto ela assentia e ajeitava seus óculos. — Kankuro, você vem comigo; Shikamaru e Choji voltem imediatamente para o acampamento. Quero todos armados e preparados para fugir se necessário. Entenderam? — falei impaciente enquanto certa irritação se instalava em minha voz.
   Todos concordaram e logo corri para a direção dos gritos enquanto Karin e Kankuro mantinham-se a postos. Os gritos aumentavam e minhas pernas começavam a doer. Eu controlava minha respiração ao máximo e segurava com força a lanterna e a arma.
   Logo a encontramos. Tenten estava cercada pelos infectados, eram três ao todo. Kankuro ergueu o facão que carregava e Karin me jogou outro, guardei a arma e empunhei o facão. A pele de Tenten era rasgada com força pelos infectados, eles mantinham-se agachados como animais enquanto pareciam saborear a carne dela.
   Aproximei-me com Kankuro logo atrás, dois deles viraram suas cabeças de modo medonho enquanto rosnavam de modo primitivo. Seus corpos definhavam, eram extremamente magros e alguns ossos estavam expostos. Aquele era o segundo estágio da doença.
   Um se ergueu e o outro permaneceu agachado. O primeiro mancou até a minha direção e logo seus passos ganharam certo ritmo. Sua boca abria-se e seu rosto estava deformado, o sangue fresco escorria de sua boca e ele aproximou-se. Kankuro adiantou-se e cortou os braços do infectado e logo atravessou a lâmina na testa dele.
   Ele se afastou quando o corpo caiu, e logo o segundo correu em minha direção como um animal, sua velocidade era média, entretanto ele se movia com destreza. Ele saltou e rosnou, dei dois passos para o lado e decepei sua cabeça.
   O corpo dele caiu em espasmos e apenas o contornei. Tenten tinha sua perna destroçada pelo último, enquanto ela gritava alto o suficiente para atrair outros. Enterrei a lâmina do facão na cabeça daquela criatura e ele caiu inerte sobre a garota. Soltei o facão e peguei minha arma.
   Apontei a lanterna na direção do rosto de Tenten que estava banhado por lágrimas e filetes de sangue.
— Eu lhe disse que ele não poderia ser salvo. — sussurrei enquanto ela me encarava e chorava mais ainda. O cheiro de sangue que ela exalava era quase asfixiante. — Agora você atraiu alguns infectados e espera mesmo que eu não faça nada sobre isso?
— P-Por fa-favor... N-Neji está v-vivo... — ela gaguejou. E eu quis atirar nela naquele instante.
— Vê isso? — puxei a empunhadura do facão e o rosto deformado e carregado de veias saltando daquela criatura foi erguido. Entretanto os olhos pálidos e os cabelos longos lembravam Neji, e provavelmente era ele.
— N-Neji? Não! Não! — ela gritou descontrolada. Puxei o facão com cautela e o limpei nas roupas do infectado. Empunhei minha arma e mirei na cabeça de Tenten.
— Ele não pode ser salvo e nem você. — murmurei sem emoção e disparei. Virei-me e peguei a arma que Tenten roubara pouco antes, joguei o revólver dela para Kankuro que o pegou no ar.
   Nenhum dos dois disse uma palavra e era melhor assim. Não havia clemência para quem quebrava as regras, na verdade não havia clemência em lugar algum naquele mundo. Encarei os céus escuros enquanto algo em minha mente dizia que só haveria um ou dois sobreviventes no final.
   E eu deveria estar entre eles.
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Notas adicionais:

Olá caros leitores. Estou postando os capítulos de DTB em meu blog pois possivelmente desativarei minha conta no Nyah! ou então quase não postarei lá. Motivos: ultimamente estou um pouco desanimada do Nyah! e acredito que haja um tanto a mais de liberdade noutro suporte como o Blogger. Espero que acompanhem e sintam-se livres para comentar.


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